O Motivo

A decisão de criar o Blog foi premeditada. Na verdade, esse fato surgiu da vontade de vigorar aquilo que já é remoto. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passando este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto. Porque escrever é também esquecer.

Relatos, crônicas, poesias, poemas, momentos factuais, aforismos, pensamentos, reflexões, questionamentos, indagações (não é o mesmo que questionamento!), acontecimentos, acasos e descontinuidades; encontros e reencontros com a vontade e com o desejo, com a lembrança e com a liberdade....Àqueles que se depararem com meu laconismo e peripécia, saibam que o espírito dos meus escritos transforma a forma para casar com o que sou. Como diria Fernando Pessoa: "Viver já não é necessário. O que é necessário é criar."

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O Itinerário

Hoje uma estrela apareceu no céu.
Afastada das demais estrelas.
Sozinha em um ponto único e solitário do Universo se esforçava para emergir toda a sua luminosidade.

Sua aventura é ilimitada. Os perigos também o são.
À toa no Universo, estrela não quer passear em vão.

Suas companheiras permanecem unidas, resplandecentes em luz através da constelação.
Juntas brilham, um brilho tão grandessíssimo que lhes obscurece a visão.

A estrela desgarrada se sentiu humilhada, pois o brilho que exaltava para as demais não era magnificente.

Sozinha, solitária, a estrela foi fazer sua jornada.
Pelos caminhos do Universo, em um momento a terra foi contemplada.

Que exuberância, que beleza. No ponto fixo em que outrora permanecera,
tal contemplação não fora ostentada com destreza.

Mais ao olhar para trás, algo lhe chama a atenção.
Juntas e resplandescentes suas irmãs engrandeciam o objeto de sua contemplação.

Subitamente, a estrela se dá conta, seu orgulho sua ira,
tudo isso consigo trazia ao que entendia como submissão.

Queria dizer a alguém, como quem já lhe falou:
"Nem o que penso, nem bem o que sinto, mas sim, agora o que sou".

Agora, completa de plenitude,
a estrela bem sabe sem saber:

"Sê toda, sê completa, nada teu aumenta ou diminui,
apenas sê no meio da escuridão".

As irmãs nunca abdicaram, entre si, o elo, a união. São sem pensar, sem saber.
Não sabem que brilham altas na escuridão.

- Talvez assim seja certo! Concluí a estrela no clímax de sua indecisão.
É difícil e árduo quando não se tem a constatação.

Mas seu egresso ao itinerário valeu a pena!
Explana a estrela na retidão encontrada.

Agora sabe, sabe bem: "A escuridão foi necessária".
E assim foi, e assim vai...No tocante do seu ser, ela foi libertada!
(Produzido em um dia de chuva)

domingo, 2 de novembro de 2008

"Já que ela não era uma pessoa triste, procurou continuar como se nada tivésse perdido. Ela não sentiu desespero. Também o que é que ela podia fazer? Pois ela era crônica. Tristeza era luxo"
Clarice Lispector