O Motivo

A decisão de criar o Blog foi premeditada. Na verdade, esse fato surgiu da vontade de vigorar aquilo que já é remoto. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passando este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto. Porque escrever é também esquecer.

Relatos, crônicas, poesias, poemas, momentos factuais, aforismos, pensamentos, reflexões, questionamentos, indagações (não é o mesmo que questionamento!), acontecimentos, acasos e descontinuidades; encontros e reencontros com a vontade e com o desejo, com a lembrança e com a liberdade....Àqueles que se depararem com meu laconismo e peripécia, saibam que o espírito dos meus escritos transforma a forma para casar com o que sou. Como diria Fernando Pessoa: "Viver já não é necessário. O que é necessário é criar."

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Alma!

Não, não sou poeta. Não posso julgar-me poeta. Longe disso!
Se escrevo é porque assim a alma pede.
Por hora, penso que ela está dormindo, não a encontro. Sinto-a tão distante...
Mais ela dá seus sinais de sobrevivência.
O ímpeto de escrever é a lanterninha do farol que oscila prá lá e prá cá no meio da escuridão.
Aí, ela dá uma risadinha.
Indo prá lá e prá cá mostra que ainda existe e se faz presente.
Minha alma é estranha. Ela zomba de mim. Sempre que estou
para desvendá-la, ela troca de face, se mascara e mostra um outro eu
que eu ainda não imaginara.
Acho que minha alma é poeta.
Eu não!!

(Produzido em uma noite fria na companhia do tinto seco!)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Sendo nada no momento!

Fazia muito tempo que não escrevia. Não apenas não postava, mais, literalmente, não escrevia.
Estive tanto tempo afastada de mim mesma, que simplesmente o contato com a alma era fugaz demais para qualquer tentativa de interiorização. Sendo assim, o que me vem ocorrendo...: Indiferença. Ela, fria, soberana, mais ao mesmo tempo minha melhor amiga, minha companheira. É ela que guia, ou guiava (já não sei mais) nos momentos de fraqueza ou até mesmo quando a sensibilidade queria vir à tona. E eu, na minha ingenuidade, achava que estava imune a qualquer tipo de humilhação. Maldita ingenuidade.
Foi nesse final de semana que percebi que isso não me ocorreu.
Sou uma pessoa inconstante, complicadíssima demais que, talvez por excesso de sensibilidade, em alguns momentos pode acabar não sabendo desmonstrar com bom senso aquilo que sente. Isso por medo de se expor demais!! Resultado, todo mundo sabe: Incompreensão alheia. Foi isso que ocorreu.
Estávamos todos reunidos, a diversão iria começar a correr solta, descontraida e leve. Eu estava ali apenas para isso, em uma tentativa ilusória de sair de minha angústia que já vinha me incubindo a um bom tempo. E claro, fugir da maldita indiferença, que já estava começando a preencher bons âmbitos de minha vida.
Mais, como toda boa vida, essa nos surpreende demais. Ainda bem!
Tudo ocorreu quando percebi um ar de "conspiração" contra mim. E logo de quem eu não esperava. Ataque verbal, tentativa de me atingir e, em seguida...a humilhação.
Na hora fiquei perplexa, confesso que sem chão. Não estava entendendo o porque daquilo tudo.
Chamei o objeto da minha dor para conversar. Que ironia. Não ouve conversa alguma. Só mais ataques de um lado e a tentativa de justificativa de outro. E com esses, um presente da vida, um que eu já conheço bem: a humilhação.
Eu olhava aquele ser em minha frente com o seu olhar de fúria e ao mesmo tempo de ressentimento.
Penso que ela também deve ter sofrido muito no passado e deva ter lá as suas marcas.
O que eu não esperava, é que projetasse tudo isso para mim. Maravilha!! A Humilhação!
Ela me trouxe um presente, uma espécie de perola preciosa. A Humilhação!
Talvez não saiba disso e tenho quase certeza que nunca venha a saber.
Acho que fui desperta de minha indiferença. Sendo humilhada e julgada, onde quem julgava, acreditava que de fato estava para ser destruida, com medo que "acabassem com ela". Pobre alma. Como é que alguém que sempre se sentiu tão pequena poderia acreditar ter a força suficiente para destruir alguém? Ou que crédito isso me traria?? Sinceramente eu não sei.
Só tenho que agradecer muito a sua humilhação e a condução disso tudo ao passado mais uma vez. Agradeço, pois acredito que ainda um fiasco de luz possa brilhar e começa novamente a emergir. Agradeço, pq sentir-me humilhada fez-me perceber que é preciso se desprender do passado, não digo esquecê-lo, mais apenas não deixar que ele dite as regras da vivência. Agradeço porque a maior humilhação é quando nos humilhamos a nós mesmos o coração. Agradeço por que despertaste a minha compaixão por ti. Sei que você se ressente de algo do teu passado, também. és humana. Mais precisa aprender a não condenar os outros pelo que te aconteceu.
As estações mudam com o tempo, e com elas os dias também.

Da imitação de Cristo: " Que te importam os discursos e os pensamentos dos homens? Não são eles que te hão de julgar. Se te acusam sem razão, aquele que vê o fundo da consciência já te justificou. Queres tu que nada altere o sossego de tua alma? Abandona-te a Deus em todas as coisas, e nos trabalhos, nas inquietações, nas adversidades e nos contratempos da vida". Dize como Jesus Cristo: "Sim meu pai, porque essa é a vossa vontade. Dai-me o profundo sentimento de meu nada".

Procurarei não me importar e vivenciar o meu nada!