O Motivo

A decisão de criar o Blog foi premeditada. Na verdade, esse fato surgiu da vontade de vigorar aquilo que já é remoto. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passando este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto. Porque escrever é também esquecer.

Relatos, crônicas, poesias, poemas, momentos factuais, aforismos, pensamentos, reflexões, questionamentos, indagações (não é o mesmo que questionamento!), acontecimentos, acasos e descontinuidades; encontros e reencontros com a vontade e com o desejo, com a lembrança e com a liberdade....Àqueles que se depararem com meu laconismo e peripécia, saibam que o espírito dos meus escritos transforma a forma para casar com o que sou. Como diria Fernando Pessoa: "Viver já não é necessário. O que é necessário é criar."

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Relações

Sofisticada, complexa e, ao mesmo tempo, rude e brutal. Configuração das relações recomendadas. Resultados tímidos, mesmo disposta a apoiar, reforçar ou ocultar.
Não se trata de romper uma corrente, em que basta atuar em determinado elo, mas de desfrutar de uma rede, na busca de sustentar os liames!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Resultado do Hoje!

Palavras que golpeiam mais do que o gesto monumental de ataque.
Ataque que provoca gotículas de dor.
Ataque que é ingênuo e mascara-se de si.
Ataque, que por uma cegueira de egoísmo, desperta palavras de dor.
Palavras que refletem o impacto da dor.
Impacto que ressoa na vibração do ser.
Vibra de angústia. Eis minha pérola momentânea.
Vou pulí-la. Vou amá-la. Meu presente circuntancial.
Se a indiferença escorreu-me pelos dedos já não sei. Não a senti entre o corpo...
Acho que foi evaporando aos poucos. O calor ímpeto de determinados sentimentos provoca isso.
Exauustão à indiferença.
A angústia é uma luz. Oxalá! Ainda vivo.
Mais isso tudo é assustador. Assustador e sublime ao mesmo tempo.
Confuso também.
Me remete à sensação de outrora, de imersão no eu.
Lembro-me que o mergulho era tão forte e o propósito tão firme, que as barragens do Ser não estancavam mais as ondas de emoção, de sentimentalismo, de racionalismo exacerbado...Tudo misturado, uma sopa vulcânica que expelia p/ for do corpo e derramava-se na "vivência".
O vulcão não podia expelir a evervescência interior. O que fazer??
Conter a lava foi a resposta encontrada.
Mais foi difícil. Difícil impedir um vulcão em erupção. Então ele teve que solidificar-se. Solidificar tudo que tinha dentro, enrijecer-se através da armadura fria criada.
Por isso, quando o "gelo" passa a derreter, ou a sublimação mostra as caras, o susto vem à tona.
Estranho sentir as estruturas vibrarem.
Vibração, da ressonância da dor.
Dor provocada pelo ataque ingênuo.
Ataque que mascara-se de si.
Máscara que desperta palavras de dor.
Dor que é meu sol.
Sol traslúcida Pérola!!!!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Hoje.

Não estou triste. Tampouco feliz.
Meu presente está sendo um momento, aquele momento sem sentimento nenhum, ou sem nenhum sentimento no momento, em que simplesmente a gente para, pensa e chega à conclusão de que é necessário apostar em algo.
Por hora a pergunta é: "Gosta, sente-se bem"??
Perguntinha miserável, sujeita a uma obviedade sem tamanho. Para quem acredita estar apostando em algo, a sujeição da resposta não poderia estar alheia ou fora do molde da obviedade. É claro, seria a resposta. Se assim não fosse, simplesmente não seria. Óbvio.
O gostar, nesses momentos, sujeita-se ao ter. Ter a oportunidade, uma chance de algo que poderia dar certo, uma escolha bem sucedida, talvez. De perspectivas, de futuros, futuros, futuros que vêm em direção ao presente e trazem o consolo da recompensa como presente. E olhem que o presente é presente nenhum. Simplesmente escolha.
O cálice, nesse momento, não é doce, também não é amargo. Apenas é "insosso".
Das habilidades que o mundo sabe, essa ainda é a que faz melhor: Dar voltas!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Sentimentos!

Não sei o que sinto agora...Tá estranho!
Não sei o que escrever agora...Falarei o que sinto!
Não quero escrever o que sinto agora...Mudarei o que sinto!
Não quero mudar o que sinto agora...Mais tá estranho!

Relógio roda, hora passa.
Noite transcorre na madrugada.
Abraça esse sentimento seco, sem qualquer lágrima de amor, sem qualquer raiva de dor.
Sentimentos de mulher justa, neutra, confusa.
Sentimentos que se comunicam sem gestos e sem palavras se invadem, se aproximam, se compreendem e se debandeiam.
Sentimentos que se calam por orgulho.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Processo

...(Continua)!

Talvez tudo que tenho dito até então esteja confuso ou complexo demais para uma compreensão quer aspirei ser breve e clara. Pois bem! É fato que por mais que tente, não consigo fugir de minha complexidade. Ela me persegue. Senhora de mim toma as rédeas de meus pensamentos. É uma droga isso! Não me conformo com o fato da simplicidade ser tão difícil...tão, tão, tão alheia e distante!
Talvez, quem sabe, deixar de pensar muito sobre as coisas seja o caminho certo a seguir. Mais nem disso sei a respeito. Sempre que estou para dar os primeiros passos na direção do escolhido, a perplexidade frente ao mistério estagna tudo. Tudo mesmo. Não vou nem p/ frente nem p/ trás. Não saio dos primeiros passos e fico apenas rodeando em círculos olhando para o além e o aquém. Angustiante! A simplicidade é o caminho. Não restam dúvidas. Afinal, dúvidas me sobram. Ao contrário da coragem. Coragem de apenas viver, talvez sem um pouco de razão e também sem muita sensibilidade. Essa é a culpada, é ela que me faz pensar!
Talvez livrar-me das duas seria a resposta ideal para os meus problemas. Mais e a vivência, ficaria onde?? Sabe-se Deus lá onde. Chega, chega por hj. Vou dormir para viver sem pensamento, ou pelo menos sem o pensamento pensante. Que assim seja.

Amém!

Venha!

Venha, traga seu sorriso, deixe-me contemplar a sua graça.
Venha, traga seus problemas, vamos juntos nos preocupar.
Venha, traga suas dúvidas, vamos juntos nos desvendar.
Venha, traga sua alegria, vamos juntos nos contentar.
Venha, traga suas angústias, vamos juntos nos solucionar.
Venha, traga sua essência, vamos juntos nos transformar.
Venha, traga seus desejos, vamos juntos nos amar.
Venha, traga sua liberdade, vamos juntos voar.
Venha, dê-me as mãos, vamos juntos caminhar.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Alma!

Não, não sou poeta. Não posso julgar-me poeta. Longe disso!
Se escrevo é porque assim a alma pede.
Por hora, penso que ela está dormindo, não a encontro. Sinto-a tão distante...
Mais ela dá seus sinais de sobrevivência.
O ímpeto de escrever é a lanterninha do farol que oscila prá lá e prá cá no meio da escuridão.
Aí, ela dá uma risadinha.
Indo prá lá e prá cá mostra que ainda existe e se faz presente.
Minha alma é estranha. Ela zomba de mim. Sempre que estou
para desvendá-la, ela troca de face, se mascara e mostra um outro eu
que eu ainda não imaginara.
Acho que minha alma é poeta.
Eu não!!

(Produzido em uma noite fria na companhia do tinto seco!)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Sendo nada no momento!

Fazia muito tempo que não escrevia. Não apenas não postava, mais, literalmente, não escrevia.
Estive tanto tempo afastada de mim mesma, que simplesmente o contato com a alma era fugaz demais para qualquer tentativa de interiorização. Sendo assim, o que me vem ocorrendo...: Indiferença. Ela, fria, soberana, mais ao mesmo tempo minha melhor amiga, minha companheira. É ela que guia, ou guiava (já não sei mais) nos momentos de fraqueza ou até mesmo quando a sensibilidade queria vir à tona. E eu, na minha ingenuidade, achava que estava imune a qualquer tipo de humilhação. Maldita ingenuidade.
Foi nesse final de semana que percebi que isso não me ocorreu.
Sou uma pessoa inconstante, complicadíssima demais que, talvez por excesso de sensibilidade, em alguns momentos pode acabar não sabendo desmonstrar com bom senso aquilo que sente. Isso por medo de se expor demais!! Resultado, todo mundo sabe: Incompreensão alheia. Foi isso que ocorreu.
Estávamos todos reunidos, a diversão iria começar a correr solta, descontraida e leve. Eu estava ali apenas para isso, em uma tentativa ilusória de sair de minha angústia que já vinha me incubindo a um bom tempo. E claro, fugir da maldita indiferença, que já estava começando a preencher bons âmbitos de minha vida.
Mais, como toda boa vida, essa nos surpreende demais. Ainda bem!
Tudo ocorreu quando percebi um ar de "conspiração" contra mim. E logo de quem eu não esperava. Ataque verbal, tentativa de me atingir e, em seguida...a humilhação.
Na hora fiquei perplexa, confesso que sem chão. Não estava entendendo o porque daquilo tudo.
Chamei o objeto da minha dor para conversar. Que ironia. Não ouve conversa alguma. Só mais ataques de um lado e a tentativa de justificativa de outro. E com esses, um presente da vida, um que eu já conheço bem: a humilhação.
Eu olhava aquele ser em minha frente com o seu olhar de fúria e ao mesmo tempo de ressentimento.
Penso que ela também deve ter sofrido muito no passado e deva ter lá as suas marcas.
O que eu não esperava, é que projetasse tudo isso para mim. Maravilha!! A Humilhação!
Ela me trouxe um presente, uma espécie de perola preciosa. A Humilhação!
Talvez não saiba disso e tenho quase certeza que nunca venha a saber.
Acho que fui desperta de minha indiferença. Sendo humilhada e julgada, onde quem julgava, acreditava que de fato estava para ser destruida, com medo que "acabassem com ela". Pobre alma. Como é que alguém que sempre se sentiu tão pequena poderia acreditar ter a força suficiente para destruir alguém? Ou que crédito isso me traria?? Sinceramente eu não sei.
Só tenho que agradecer muito a sua humilhação e a condução disso tudo ao passado mais uma vez. Agradeço, pois acredito que ainda um fiasco de luz possa brilhar e começa novamente a emergir. Agradeço, pq sentir-me humilhada fez-me perceber que é preciso se desprender do passado, não digo esquecê-lo, mais apenas não deixar que ele dite as regras da vivência. Agradeço porque a maior humilhação é quando nos humilhamos a nós mesmos o coração. Agradeço por que despertaste a minha compaixão por ti. Sei que você se ressente de algo do teu passado, também. és humana. Mais precisa aprender a não condenar os outros pelo que te aconteceu.
As estações mudam com o tempo, e com elas os dias também.

Da imitação de Cristo: " Que te importam os discursos e os pensamentos dos homens? Não são eles que te hão de julgar. Se te acusam sem razão, aquele que vê o fundo da consciência já te justificou. Queres tu que nada altere o sossego de tua alma? Abandona-te a Deus em todas as coisas, e nos trabalhos, nas inquietações, nas adversidades e nos contratempos da vida". Dize como Jesus Cristo: "Sim meu pai, porque essa é a vossa vontade. Dai-me o profundo sentimento de meu nada".

Procurarei não me importar e vivenciar o meu nada!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Resistência!

Blog ainda não abandonado!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Juliana

Juliana em criação...
Juliana em pensamento...
Juliana em questionamento... (novidade isso??!)
Juliana em indecisão...
Juliana em perdição...
Juliana em tentação...
Juliana na escolha de seu cálice...
Juliana em emoção..
Juliana em incoerência...
Juliana em incertezas...
Juliana em certezas...
Juliana em convicção...
Juliana em conspiração
Juliana com alma...
Juliana sem alma...
Juliana em VIVÊNCIA!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Na normalidade...Infelizmente!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Ainda Ontem Pensava que não era

Ainda ontem pensava que não era mais do que um fragmento trêmulo sem ritmo na esfera da vida.
Hoje sei que sou a esfera, e a vida inteira em fragmentos ritmicos movem-se em mim.
Eles dizem-me no seu despertar: "tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia sobra a margem infinita de um mar infinito"
E no meu sonho eu respondo-lhes: "Eu sou o mar infinito, e todos os mundos não passam de grãos de areia sobre a minha margem".
Só uma vez fiquei muda...Foi quando um homem me perguntou:
"Quem és tu?"

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Começa Hoje o Ano

Ano Novo: Ficção de que começa alguma coisa!
Deveras mesmo um tempo novo começar?
Um tempo novo não começa. Nada começa: tudo continua.
O que nasce é a nova ilusão, talvez renovada, de outrora, de um ano atrás, de uma esperança usada ou novamente criada, de que um dia tudo possa ser melhor...
Uma esperança inventada de si mesma, que nunca morre, que nunca acaba, que se aprimora através de anseios gostosos e sublimes, mas se intensifica por meio de desejos cegos e vulgares, por meio de pecados necessários...Que são bem vindos!
O novo não começa, se põe a dançar...
O novo reflete o tempo ido, sofrido, símbolo de pensamento, de existência.
Símbolo marcado de um tempo vivido, mundano e ousado.
O tempo vivido de olhares atentos e rápidos no amplo ar;
O tempo vivido com múrmurios em sombras e mistérios, na curva do céu, onde água flui nua e pura, em um ócio incerto sem prazer nem razão.
Começa hoje o ano: nada começa. Tudo continua!
Onde estamos que vemos só passar?
Meus dias passaram, minha fé também.
Já tive céus e estrelas em meu manto.
As grandes horas, se as viveu alguém,
Quando as viveu, perderam já seu encanto.
Aqui, neste raso momento, em que não por lugar, mas mente estou,
no claustro de ser eu, neste momento, em que me encontro e sinto-me que vou.
Ah, quanta melancolia!
Quanta, quanta solidão!
Aquela alma vazia, sinto que é inútil e fria dentro do meu coração!
Aqui, agora, rememoro
quanto de mim deixei de ser...
E, inutilmente choro, o que sou e não pude ter...
... Mas hoje um ano novo começa...
Nada começa: Tudo continua...
É Eternidade!!
(Obs: Criado dia 01/01 e publicado dia 02/01, afinal, o novo já acabou)