O Motivo

A decisão de criar o Blog foi premeditada. Na verdade, esse fato surgiu da vontade de vigorar aquilo que já é remoto. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passando este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto. Porque escrever é também esquecer.

Relatos, crônicas, poesias, poemas, momentos factuais, aforismos, pensamentos, reflexões, questionamentos, indagações (não é o mesmo que questionamento!), acontecimentos, acasos e descontinuidades; encontros e reencontros com a vontade e com o desejo, com a lembrança e com a liberdade....Àqueles que se depararem com meu laconismo e peripécia, saibam que o espírito dos meus escritos transforma a forma para casar com o que sou. Como diria Fernando Pessoa: "Viver já não é necessário. O que é necessário é criar."

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Memória!

Ontem, na hora de deitar-me, estava com a estranha sensação de euforia. Talvez essa definição seja imprópria, ou limitada demais, pois meu espírito não estava agitado, ou estava, enquanto euforia, em estado de rememoração...
Senti-me, como em alguns momentos já ocorridos, mergulhada em estado de êxtase.
O enlevo de ontem me levou à contemplação. Contemplando nada específico, mergulhava no todo...
Com ondas de propagação, os componentes desse "mergulho oceânico" vieram a mim.
Resultado de sinapses aceleradas, devido à "euforia", minha vida passou em segundos. Vivi e revivi alguns momentos em lembranças. Quando a memória caminhou-se para o presente, a agitação cessou. Começou a contemplação. Meu presente é contemplado com tal destreza que chega a dar medo. Pelo jeito meu córtex pré-frontal funciona bem, por hora, até demais. Ainda bem, assim, o medo me conduz à reflexão e consigo controlar a dosagem de endorfina produzida no momento.
Dá vontade de inebriar-me com o cálice de endorfina e abraçar o prazer imenso da minha vivênvia atual. Porém, acho que não conseguiria abraçar, pois ele está me levando no colo. Às vezes, esse sentimento veemente de bem estar e plenitude me confunde, assusta. No fundo, AMBOS sabemos que queremos, mais temos medo...
Ainda bem que meu córtex pré-frontal funciona bem. Assim, continuo minha vida "normalmente"!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira em que vivo.
{...} Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida.
Mais tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo. Quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. Como é que se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação: a ser? e no entanto não há outro caminho. Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo? Como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra coisa como se eu tivesse sabido o que era! Por que é que ver é uma tal desorganização?

(Clarice Lispector - ´A Paixão segundo G.H´)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A Caixa

Cheiro o vinho e procuro saber qual é a verdade.
A verdade é que a própria não há.
Haja verdade, essa mistura-se com o desejo.
Façamos a verdade ou vivamos ao acaso?
Ou transformamos o acaso em verdade?
Concomitantemente, queria que cada querer fosse minha verdade real, posta em realidade.
Realmente a própria existência é ilusão.
O desafio é fazê-la verdade.
...
Hoje penso em desejos sucumbidos ao nada. O choro amargo contido na garganta não é passado.
A diferença é que hoje o choro não é contido, ele é dito. Meus olhos não choram em lágrimas.
Eles têm voz. O choro é seu grito.
O dilema é o cárcere e a decisão é a alforria libertária. A escolha é a caixa de pandora. Ou melhor, o último elemento que resta dentro dela vem como consolo. Ainda bem que Pandora fechou a
caixa a tempo, senão o que seria do futuro. Passado nem remorso seria.
Creio que a escolha será tomada pela caixinha. Vou confiar em dias melhores... e na caixinha, o novo estará.

O caminho na praia.

Era uma vez uma jovem moça que caminhava pelas areias de uma praia qualquer.
Tinha por companhia, um homem de beleza razoável. Um homem cuja as palavras emanadas de seus lábios deveriam conduzir a jovem à um fututo promissor em perspectiva e expetativa.
Aquelas palavras eram suaves...
A jovem, enquanto caminhava com seu "futuro companheiro" pelos lençois brancos de finura em areia, mergulhou na imensidão daquele mar.
As portas de seu coração se abriram e sua alma abraçou a solução clorada de sódio daquele composto...
Em segundos, foi das fossas escuras ao tesouro que procurava pelo caminho. Como tinha medo de abraçar o tesouro com que se deparara, de mãos atadas, voltou ao porto seguro e ficou ali.
Voltou a ouvir as palavras do homem que lhe acompanhava. As palavras eram suaves, a companhia não.
Mais seus pensamentos ficaram junto ao tesouro. Derrepente, percebeu que seu coração badalava, badalava como sinos encondidos no fundo do mar. Então, subitamente, em ondas de emoção, percebeu que o tesouro que vira não estava no mar. O mar estava em seu coração. Seu coração era seu tesouro. Onde estivesse seu coração, estaria seu tesouro...

A jovem resolveu mergulhar para dentro de si. Viu o tesouro. Ele sempre estivera ali. Só precisava ser descoberto.
Sua vida sempre fora um barco, seguro no ancouradoro...
Mais sabia que não fora para isso que os barcos foram feitos!
De mãos dadas, a jovem e o homem continuaram caminhando pela praia.
A jovem previra o caminho. E agora, caminhava sem previsão. Escolhendo seu destino, destituia toda e qualquer ilusão.
Talvez, mesmo sem pretensão, não teria emoção.
Mas agora, já tomara a decisão.
Uma jovem e um homem caminhavam pela praia..

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Vida!

A ponto de mais um passo. Rumo ao incerto, ao acaso.
Certamente a incerteza ocorre além do descaso.
Tráz um lapso.
Produz um caso.
Dentro do cálice...O relapso!
Vida é sentimento não raso...
Acaba, começa, continua...
... com fracassos!!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Resultado!

Certas dificuldades de expressar aquilo que sente, provém do medo do desconhecido.
Tão abstrata é a idéia do meu ser, contido todo o meu querer, e de outro ser, que meus sentidos permanecem em um breu interior.
Bem puderas! Por hora, deixar a alma dormindo é a sensatez mais viável que ela mesma solicita...Almas também cansam...
É delas que provém toda a nossa percepção. Não me venham falar que a racionalidade poupa a alma.
Almas também são muito racionais. E agem assim por puro capricho. Elas sabem que não vamos agüentar muito tempo dentro dos ditames
da "pura" razão...As almas vão nos domando, domando, domando o cavalo negro das paixões gostosas e sublimes que já não cavalgam mais...
Elas domam tanto, que no momento de inanição, o cavalo é açoitado. Soberana, a alma olha para ele e diz: "acorda cavalo, cavalga. Corra pelos campos que lhe preparei"...
Todo estado de alma é uma paisagem. Uma paisagem não só representável, mais simples e verdadeiramente uma paisagem. Um espaço interior, onde a matéria física se agita...
...deve ser por isso que uma tristeza é um lago morto dentro de mim, e a minha alegria, um dia de sol no meu espírito...
Quando minha alma sai para passear e repousa nos meus olhos, ela fica absorta, em silêncio, acariciando os pensamentos que estão contando, conectados, coligados à ela. Minha alma olha ao redor do meu corpo. Meus olhos são a sua janela. Nessa consciência exterior, ela faz paisagem para si.
Cuidado!
É nesse momento que a minha alma funde-se na paisagem que vê...através de meus olhos. Com sua astúcia, ela usa o silêncio...e as paisagens interpenetram-se, interseccionam-se. O breu vai embora, cai para fora. E assim, a alma fica, se volta. Chora e se aprimora...
E com o meu olhar, nos teus, perco-a de vista. E nada fica em meu olhar, e dista.
Assim, ela volta-se para dentro de mim...completa, porque viu quem ela queria: uma outra alma!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Tudo de novo..

Ele tem o poder de dar golpes com palavras...
E eu, o dom para resignar-me!
Ele fala, argumenta, ataca...
Eu ouço!
Razão? Não sabemos o que é!

sábado, 9 de janeiro de 2010

Não foi!

Chegando ao local percebo o quão grave estão minhas expectativas...
Me assusto com isso.
Estranha palavra: Expectativa. Não sei dizer ao certo.
Não sei porque, mais creio que não havia expectativa...Ela foi criada ali, diante daquela circunstância de inexatidão.
Ou dissipou-se ali, naquela inexatidão de circunstância. Não sei ao certo.
Quando se está em grupo, procura-se a conveniência.
Seria tão fácil justificar os atos inexpressivos devido a...vou chamar de "cautela social".
Prudência da preservação da imagem. Definiçãozinha mais ridícula...
Mais é o que há!
O medo da frustração ainda impede minhas ações...bloqueia minhas vontades...é isso.
Diante da inexatidão, uma frase justifica muita coisa.
Quero preservar algo que nem sei que é. Ou que há.
Querer já não basta...
Não quis preservar anseio algum...
E ele ficou ali, dentro daquele eu. Ficou tímido. Mais intacto. Pronto para um próximo encontro.
Querer já não basta!