Cheiro o vinho e procuro saber qual é a verdade.
A verdade é que a própria não há.
Haja verdade, essa mistura-se com o desejo.
Façamos a verdade ou vivamos ao acaso?
Ou transformamos o acaso em verdade?
Concomitantemente, queria que cada querer fosse minha verdade real, posta em realidade.
Realmente a própria existência é ilusão.
O desafio é fazê-la verdade.
...
Hoje penso em desejos sucumbidos ao nada. O choro amargo contido na garganta não é passado.
A diferença é que hoje o choro não é contido, ele é dito. Meus olhos não choram em lágrimas.
Eles têm voz. O choro é seu grito.
O dilema é o cárcere e a decisão é a alforria libertária. A escolha é a caixa de pandora. Ou melhor, o último elemento que resta dentro dela vem como consolo. Ainda bem que Pandora fechou a
caixa a tempo, senão o que seria do futuro. Passado nem remorso seria.
Creio que a escolha será tomada pela caixinha. Vou confiar em dias melhores... e na caixinha, o novo estará.

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