O Motivo

A decisão de criar o Blog foi premeditada. Na verdade, esse fato surgiu da vontade de vigorar aquilo que já é remoto. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passando este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto. Porque escrever é também esquecer.

Relatos, crônicas, poesias, poemas, momentos factuais, aforismos, pensamentos, reflexões, questionamentos, indagações (não é o mesmo que questionamento!), acontecimentos, acasos e descontinuidades; encontros e reencontros com a vontade e com o desejo, com a lembrança e com a liberdade....Àqueles que se depararem com meu laconismo e peripécia, saibam que o espírito dos meus escritos transforma a forma para casar com o que sou. Como diria Fernando Pessoa: "Viver já não é necessário. O que é necessário é criar."

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Ainda Ontem Pensava que não era

Ainda ontem pensava que não era mais do que um fragmento trêmulo sem ritmo na esfera da vida.
Hoje sei que sou a esfera, e a vida inteira em fragmentos ritmicos movem-se em mim.
Eles dizem-me no seu despertar: "tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia sobra a margem infinita de um mar infinito"
E no meu sonho eu respondo-lhes: "Eu sou o mar infinito, e todos os mundos não passam de grãos de areia sobre a minha margem".
Só uma vez fiquei muda...Foi quando um homem me perguntou:
"Quem és tu?"

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Começa Hoje o Ano

Ano Novo: Ficção de que começa alguma coisa!
Deveras mesmo um tempo novo começar?
Um tempo novo não começa. Nada começa: tudo continua.
O que nasce é a nova ilusão, talvez renovada, de outrora, de um ano atrás, de uma esperança usada ou novamente criada, de que um dia tudo possa ser melhor...
Uma esperança inventada de si mesma, que nunca morre, que nunca acaba, que se aprimora através de anseios gostosos e sublimes, mas se intensifica por meio de desejos cegos e vulgares, por meio de pecados necessários...Que são bem vindos!
O novo não começa, se põe a dançar...
O novo reflete o tempo ido, sofrido, símbolo de pensamento, de existência.
Símbolo marcado de um tempo vivido, mundano e ousado.
O tempo vivido de olhares atentos e rápidos no amplo ar;
O tempo vivido com múrmurios em sombras e mistérios, na curva do céu, onde água flui nua e pura, em um ócio incerto sem prazer nem razão.
Começa hoje o ano: nada começa. Tudo continua!
Onde estamos que vemos só passar?
Meus dias passaram, minha fé também.
Já tive céus e estrelas em meu manto.
As grandes horas, se as viveu alguém,
Quando as viveu, perderam já seu encanto.
Aqui, neste raso momento, em que não por lugar, mas mente estou,
no claustro de ser eu, neste momento, em que me encontro e sinto-me que vou.
Ah, quanta melancolia!
Quanta, quanta solidão!
Aquela alma vazia, sinto que é inútil e fria dentro do meu coração!
Aqui, agora, rememoro
quanto de mim deixei de ser...
E, inutilmente choro, o que sou e não pude ter...
... Mas hoje um ano novo começa...
Nada começa: Tudo continua...
É Eternidade!!
(Obs: Criado dia 01/01 e publicado dia 02/01, afinal, o novo já acabou)