O Motivo

A decisão de criar o Blog foi premeditada. Na verdade, esse fato surgiu da vontade de vigorar aquilo que já é remoto. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passando este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto. Porque escrever é também esquecer.

Relatos, crônicas, poesias, poemas, momentos factuais, aforismos, pensamentos, reflexões, questionamentos, indagações (não é o mesmo que questionamento!), acontecimentos, acasos e descontinuidades; encontros e reencontros com a vontade e com o desejo, com a lembrança e com a liberdade....Àqueles que se depararem com meu laconismo e peripécia, saibam que o espírito dos meus escritos transforma a forma para casar com o que sou. Como diria Fernando Pessoa: "Viver já não é necessário. O que é necessário é criar."

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Hoje é assim!

Últimos dias...dias constituídos de fragmentos de outrora, aqueles em que, subitamente, já sofreram uma tentativa de descarte mas, por uma insistência teimosa e implacável, ousaram, como que em uma baile de driblagem, manter impregnado seus traços. Por isso, somos forçados a aprender que existem "coisas" (no devido momento me é negada qualquer tentativa de caracterizar "coisas" de uma maneira sublime e poetizada, como tenho tentado fazer nos últimos tempos. Às vezes a poesia me foge, me escapa, e, sendo assim, não me resta outra maneira de escrever senão com uma linguagem vulgar-enquadrando "coisas"como vulgar, não que ela não seja, também pode ser- porque assim como a espontaneidade sucumbe, ela também emerge) que simplesmente são irrefutáveis, sem que saibamos ao certo porquê.

Não quero lutar com tais fragmentos, não quero refutá-los, acho que, por hora, estou me sentindo muito cansada para pensar em tais acontecimentos.

Só digo que fragmentos são bem-vindos. E que me digam o que tiverem que me dizer!

2 comentários:

Unknown disse...

Fragmentos vêm e vão... Sim, uns acabam marcando muito mais do que outros, mas ainda assim eles vão... Eu concordo que acabam sendo inegáveis algumas vezes, mas por isso mesmo que querer refutar, descartar ou racionalizar demasiadamente sobre eles acaba sendo dispensável (essa não é a palavra certa, mas não consigo encontrá-la no momento, então que fique essa mesmo) e, às vezes, doloroso demais. Óbvio que tais pensamentos acabam acontecendo automaticamente, mas os fragmentos não podem estar no controle de muitas ações da vida por tanto tempo.

O tempo cura tudo, mas sempre da para ajudá-lo! Novos fragmentos substituem outros, os superam ou simplesmente os amenizam. Não é preciso aceitar qualquer novo fragmento, mas também não se pode fechar-se contra todos eles...
Assim como diz na "Canção do dia de sempre", o bom é viver dia a dia!

"E sem nenhuma lembrança das outras vezes perdidas, Atiro a rosa do sonho nas tuas mãos distraídas..."

Juliana Golemba disse...

Amo esse fragmento da canção do dia do sempre do Pessoa..!