O Motivo

A decisão de criar o Blog foi premeditada. Na verdade, esse fato surgiu da vontade de vigorar aquilo que já é remoto. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passando este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto. Porque escrever é também esquecer.

Relatos, crônicas, poesias, poemas, momentos factuais, aforismos, pensamentos, reflexões, questionamentos, indagações (não é o mesmo que questionamento!), acontecimentos, acasos e descontinuidades; encontros e reencontros com a vontade e com o desejo, com a lembrança e com a liberdade....Àqueles que se depararem com meu laconismo e peripécia, saibam que o espírito dos meus escritos transforma a forma para casar com o que sou. Como diria Fernando Pessoa: "Viver já não é necessário. O que é necessário é criar."

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Resultado do Hoje!

Palavras que golpeiam mais do que o gesto monumental de ataque.
Ataque que provoca gotículas de dor.
Ataque que é ingênuo e mascara-se de si.
Ataque, que por uma cegueira de egoísmo, desperta palavras de dor.
Palavras que refletem o impacto da dor.
Impacto que ressoa na vibração do ser.
Vibra de angústia. Eis minha pérola momentânea.
Vou pulí-la. Vou amá-la. Meu presente circuntancial.
Se a indiferença escorreu-me pelos dedos já não sei. Não a senti entre o corpo...
Acho que foi evaporando aos poucos. O calor ímpeto de determinados sentimentos provoca isso.
Exauustão à indiferença.
A angústia é uma luz. Oxalá! Ainda vivo.
Mais isso tudo é assustador. Assustador e sublime ao mesmo tempo.
Confuso também.
Me remete à sensação de outrora, de imersão no eu.
Lembro-me que o mergulho era tão forte e o propósito tão firme, que as barragens do Ser não estancavam mais as ondas de emoção, de sentimentalismo, de racionalismo exacerbado...Tudo misturado, uma sopa vulcânica que expelia p/ for do corpo e derramava-se na "vivência".
O vulcão não podia expelir a evervescência interior. O que fazer??
Conter a lava foi a resposta encontrada.
Mais foi difícil. Difícil impedir um vulcão em erupção. Então ele teve que solidificar-se. Solidificar tudo que tinha dentro, enrijecer-se através da armadura fria criada.
Por isso, quando o "gelo" passa a derreter, ou a sublimação mostra as caras, o susto vem à tona.
Estranho sentir as estruturas vibrarem.
Vibração, da ressonância da dor.
Dor provocada pelo ataque ingênuo.
Ataque que mascara-se de si.
Máscara que desperta palavras de dor.
Dor que é meu sol.
Sol traslúcida Pérola!!!!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Hoje.

Não estou triste. Tampouco feliz.
Meu presente está sendo um momento, aquele momento sem sentimento nenhum, ou sem nenhum sentimento no momento, em que simplesmente a gente para, pensa e chega à conclusão de que é necessário apostar em algo.
Por hora a pergunta é: "Gosta, sente-se bem"??
Perguntinha miserável, sujeita a uma obviedade sem tamanho. Para quem acredita estar apostando em algo, a sujeição da resposta não poderia estar alheia ou fora do molde da obviedade. É claro, seria a resposta. Se assim não fosse, simplesmente não seria. Óbvio.
O gostar, nesses momentos, sujeita-se ao ter. Ter a oportunidade, uma chance de algo que poderia dar certo, uma escolha bem sucedida, talvez. De perspectivas, de futuros, futuros, futuros que vêm em direção ao presente e trazem o consolo da recompensa como presente. E olhem que o presente é presente nenhum. Simplesmente escolha.
O cálice, nesse momento, não é doce, também não é amargo. Apenas é "insosso".
Das habilidades que o mundo sabe, essa ainda é a que faz melhor: Dar voltas!