O Motivo

A decisão de criar o Blog foi premeditada. Na verdade, esse fato surgiu da vontade de vigorar aquilo que já é remoto. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passando este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto. Porque escrever é também esquecer.

Relatos, crônicas, poesias, poemas, momentos factuais, aforismos, pensamentos, reflexões, questionamentos, indagações (não é o mesmo que questionamento!), acontecimentos, acasos e descontinuidades; encontros e reencontros com a vontade e com o desejo, com a lembrança e com a liberdade....Àqueles que se depararem com meu laconismo e peripécia, saibam que o espírito dos meus escritos transforma a forma para casar com o que sou. Como diria Fernando Pessoa: "Viver já não é necessário. O que é necessário é criar."

sexta-feira, 27 de junho de 2008

O Ser ser eu!

Eu, na minha imensurável e genuína timidez, venho aqui ousar dizer que, renego os impotentes e tomados de pavor, que discernem com tal velocidade, que vão toldando a visão clara de "moralidade" e "imoralidade" (existe????), perdendo a faculdade de discernimento, modificando a pauta dos conceitos, e, de tal modo, que aquilo que outrora causava repugnância e repulsa não tarda a ser admitido como inteiramente natural...Já não se escandalizam mais.
Mas o cálice em breve estará cheio até às bordas. Há de sobreviver um medonho despertar. Mesmo agora já se nota, as vezes, por entre essas massas fustigadas pelos isntintos, uma repentina e transida inquietação, inteiramente inconsciente e reflexa. A certeza se apodera por um instante de muitos corações, sem, contudo, ocorrer um despertar, uma noção categórica de sua atuação indigna. Acode então um zelo redobrado para jogar fora ou então abafar tais "fraquezas" ou "derradeiras partículas" de noções antiquadas....blá, blá, blá...sendo assim, EU RENEGO A MIM MESMA...Sim. Muitas vezes...não pelo agir assim, mas pelo não agir. Sim, pelo não agir. Porque eu nego e acredito ao mesmo tempo. Porque sou crente e descrente na alma. Porque eu construo e destruo, porque ao mesmo tempo em que fujo do desconhecido eu corro atrás dele. Valorizo e desvalorizo, mergulho e emirjo, balbucio e afirmo, sou austera e serena, complascente e diligente, mas também indiferente, condizente e dissidente...Sou o que sou. Continuarei sendo. Será que serei?? Não sei...O tempo dirá!

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