O Motivo

A decisão de criar o Blog foi premeditada. Na verdade, esse fato surgiu da vontade de vigorar aquilo que já é remoto. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passando este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto. Porque escrever é também esquecer.

Relatos, crônicas, poesias, poemas, momentos factuais, aforismos, pensamentos, reflexões, questionamentos, indagações (não é o mesmo que questionamento!), acontecimentos, acasos e descontinuidades; encontros e reencontros com a vontade e com o desejo, com a lembrança e com a liberdade....Àqueles que se depararem com meu laconismo e peripécia, saibam que o espírito dos meus escritos transforma a forma para casar com o que sou. Como diria Fernando Pessoa: "Viver já não é necessário. O que é necessário é criar."

quarta-feira, 25 de junho de 2008

O Tempo

O tempo passa! Os tempos mudam! É o que por toda parte se ouve dizer e, sem que queiramos, irrompe em nossa mente uma imagem: Vemos tempos mutáveis perpassando por nós. Tal imagem se torna um hábito virando a base sólida por onde vai se edificando e se orientando as lucubrações. Não demora muito, contudo, há um esbarramento em obstáculos, fazendo as coisas se contradizerem umas às outras. Já nada se aguenta nem com a melhor boa vontade. Perde-se e deixa-se lacunas que, não obstante todos os esforços, não poderão ser preenchidas nunca mais. Ora, o tempo! Passará deveras? Por que nos deparamos com obstáculos em face desse princípio se quisermos prosseguir em nosso pensar? Muito fácil, pois a idéia que serve de base está errada: é que o tempo permanece estacionado. Nós sim, nós é que caminhamos sedentos ao seu encontro. Investimos pelo tempo adentro, que é eterno, procurando dentro dele uma Verdade. O tempo permanece parado. Continua o mesmo hoje, ontem, durante mil anos. Somente suas volúveis formas é que variam. Mergulhamos no tempo, afim de conhecermos o seu regaço ou o seu inventário. Mergulhamos afim de avolumarmos nosso saber com as coleções que ele encerra. Pois, mesmo depois de tanto tempo, nada se perdeu, tudo ele preservou. Não mudou. Ele é eterno.

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