É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira em que vivo.
{...} Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida.
Mais tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo. Quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. Como é que se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação: a ser? e no entanto não há outro caminho. Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo? Como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra coisa como se eu tivesse sabido o que era! Por que é que ver é uma tal desorganização?
(Clarice Lispector - ´A Paixão segundo G.H´)
O Motivo
A decisão de criar o Blog foi premeditada. Na verdade, esse fato surgiu da vontade de vigorar aquilo que já é remoto. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passando este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto. Porque escrever é também esquecer.
Relatos, crônicas, poesias, poemas, momentos factuais, aforismos, pensamentos, reflexões, questionamentos, indagações (não é o mesmo que questionamento!), acontecimentos, acasos e descontinuidades; encontros e reencontros com a vontade e com o desejo, com a lembrança e com a liberdade....Àqueles que se depararem com meu laconismo e peripécia, saibam que o espírito dos meus escritos transforma a forma para casar com o que sou. Como diria Fernando Pessoa: "Viver já não é necessário. O que é necessário é criar."
Relatos, crônicas, poesias, poemas, momentos factuais, aforismos, pensamentos, reflexões, questionamentos, indagações (não é o mesmo que questionamento!), acontecimentos, acasos e descontinuidades; encontros e reencontros com a vontade e com o desejo, com a lembrança e com a liberdade....Àqueles que se depararem com meu laconismo e peripécia, saibam que o espírito dos meus escritos transforma a forma para casar com o que sou. Como diria Fernando Pessoa: "Viver já não é necessário. O que é necessário é criar."
domingo, 21 de fevereiro de 2010
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2 comentários:
Muito bom... Mas eu consigo até ver o Drummond respondendo: "A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade." (Carlos Drummond de Andrade)
Descobri que a citação acima é, na verdade, de Mary Cholmondeley, uma escritora inglesa. Foi mal!
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