O Motivo

A decisão de criar o Blog foi premeditada. Na verdade, esse fato surgiu da vontade de vigorar aquilo que já é remoto. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passando este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto. Porque escrever é também esquecer.

Relatos, crônicas, poesias, poemas, momentos factuais, aforismos, pensamentos, reflexões, questionamentos, indagações (não é o mesmo que questionamento!), acontecimentos, acasos e descontinuidades; encontros e reencontros com a vontade e com o desejo, com a lembrança e com a liberdade....Àqueles que se depararem com meu laconismo e peripécia, saibam que o espírito dos meus escritos transforma a forma para casar com o que sou. Como diria Fernando Pessoa: "Viver já não é necessário. O que é necessário é criar."

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Resultado!

Certas dificuldades de expressar aquilo que sente, provém do medo do desconhecido.
Tão abstrata é a idéia do meu ser, contido todo o meu querer, e de outro ser, que meus sentidos permanecem em um breu interior.
Bem puderas! Por hora, deixar a alma dormindo é a sensatez mais viável que ela mesma solicita...Almas também cansam...
É delas que provém toda a nossa percepção. Não me venham falar que a racionalidade poupa a alma.
Almas também são muito racionais. E agem assim por puro capricho. Elas sabem que não vamos agüentar muito tempo dentro dos ditames
da "pura" razão...As almas vão nos domando, domando, domando o cavalo negro das paixões gostosas e sublimes que já não cavalgam mais...
Elas domam tanto, que no momento de inanição, o cavalo é açoitado. Soberana, a alma olha para ele e diz: "acorda cavalo, cavalga. Corra pelos campos que lhe preparei"...
Todo estado de alma é uma paisagem. Uma paisagem não só representável, mais simples e verdadeiramente uma paisagem. Um espaço interior, onde a matéria física se agita...
...deve ser por isso que uma tristeza é um lago morto dentro de mim, e a minha alegria, um dia de sol no meu espírito...
Quando minha alma sai para passear e repousa nos meus olhos, ela fica absorta, em silêncio, acariciando os pensamentos que estão contando, conectados, coligados à ela. Minha alma olha ao redor do meu corpo. Meus olhos são a sua janela. Nessa consciência exterior, ela faz paisagem para si.
Cuidado!
É nesse momento que a minha alma funde-se na paisagem que vê...através de meus olhos. Com sua astúcia, ela usa o silêncio...e as paisagens interpenetram-se, interseccionam-se. O breu vai embora, cai para fora. E assim, a alma fica, se volta. Chora e se aprimora...
E com o meu olhar, nos teus, perco-a de vista. E nada fica em meu olhar, e dista.
Assim, ela volta-se para dentro de mim...completa, porque viu quem ela queria: uma outra alma!

Um comentário:

sarah disse...

"É nesse momento que a minha alma funde-se na paisagem que vê...através de meus olhos. " ... senti uma fenomenologia se manifestando aí rss.. das boas por sinal.